sexta-feira, 7 de março de 2008

Dos rótulos, quem os coloca e sua auto-gestão

Outro dia ao comentar o filme O Cheiro do Ralo com um amigo ele citou que em um dos personagens era interpretado por um intelectual gay de São Paulo...

Intelectual Gay...

Fico pensando em quanto os rótulos são depositados sobre as pessoas e quanto eles são auto impostos como maneira de se destacar...

Intelectual gay, militante negro, escritor judeu...

Todos os nichos lutaram durante muito tempo para sermos reconhecidos como apenas humanos, independente de quaisquer características.

Mas ainda assim, ser humano acaba por ser muito genérico... Eu me pego pensando o quanto o fato de ser gay, ou qualquer outra minoria, influencia na intelectualidade do individuo e se isso se sobrepõe ao fato que ele fala de assuntos que são interessantes a toda comunidade dos homo sapiens sapiens...

Mas então vem correndo triunfante a questão dos grupos, que antes eram um meio de excluir esses indivíduos também funcionam como uma maneira de se criar um nicho onde estes indivíduos ganhem aceitação imediata, sim, entendendo que isto funciona como um meio de defesa contra preconceitos... infelizmente...é um gerador dos mesmos.

E digo isso por que os rótulos acabam se fixando e reforçando a idéia de que a raça, a cor, a escolha sexual dentre outras características influenciam na humanidade intrínseca do individuo impedindo assim que uma comunidade realmente una possa se formar onde independente de sua idiossincrasias todo sejam humanos.

2 comentários:

caio-maximino disse...

Só não se esqueça de contextualizar: o Xico Sá é um "intelectual gay" porque começou a escrever para esse público específico em um momento de exteriorização de um movimento político. Naquele período, talvez fosse importante o rótulo.

Ginê disse...

Hum...
Não que eu seja o tipo que levanta bandeira por igualdade, mas acredito que movimentos como esse são sim importantes...
Só me pergunto se um dia será diferente?